Coluna do RK- Bastidores da política




Por Roberto Kuppê (*)

                             Por que? Por por que? Por que?

Menos de 48 horas depois do fogo que destruiu a Catedral de Notre-Dame (na foto à esquerda), em Paris, na segunda-feira, 15 de abril, a campanha para a reconstrução do símbolo francês já arrecadou 900 milhões de dólares (o equivalente a R$ 3,5 bilhões), segundo autoridades do país. Só uma milionária brasileira que mora na França, Lily Safra (viúva do banqueiro Edmond Safra), doou 88 milhões de euros, o equivalente a quase 400 milhões de reais. Noves fora a lei do mecenato que prevê desconto de 60% no imposto de renda a pagar, por que tanta generosidade para com o monumento religioso de Paris e quase nada para o Museu Nacional do Rio de Janeiro (na foto à direita) que pegou fogo no ano passado, tendo arrecadado apenas 1 milhão de reais? Pessoas no Brasil foram às redes sociais para comparar a generosidade dos milionários europeus com a da elite aqui. A resposta, a seguir.

Porque…

Por que, passados sete meses da tragédia, o museu contabilizou só R$ 1,1 milhão em doações para reconstruir o edifício histórico, que serviu de residência para a família real portuguesa de 1808 a 1889 e hoje é considerado o maior museu de história natural e antropológica da América Latina? Porque no Brasil, não existe mais uma elite intelectual, que cultua valores históricos, muito menos preserva a história. A nova elite brasileira cultua valores religiosos (risos), a família (mais risos) e os bons costumes (morrendo de rir agora). A nova elite cultua um tal de Olavo de Carvalho e rachaça Paulo Freire (considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica). A nova elite cultua um tal de general Ustra e mata defensores dos direitos humanos como Marielle Franco, que, por sinal, foi homenageada pela elite francesa com nome de praça. No Brasil, políticos de direita rasgaram uma placa em homenagem à vereadora assassinada, só porque ela era negra e defendia os pobres.

Porque…..

Por que os milionários europeus estão sendo mais generosos com a Catedral de Notre Dame e os brasileiros menos generosos com o Museu Histórico Nacional? Querem mais exemplos? Então lá vai. Porque os europeus são de Primeiro Mundo e isso já é uma grande diferença. Porque os europeus sempre priorizaram a educação. Sempre. Talvez seja por isso que a criminalidade em alguns países é quase zero. Na Europa políticos corruptos vão presos. No Brasil viram deputados, senadores e até presidente da República. Os mecenas europeus não contribuíram com o Museu Nacional porque sabem que mais da metade dos recursos será desviada para alguma conta particular.

Porque…..

Mais porquês. Na política, o eleitor fluminense (que nasce no estado do Rio de Janeiro), tem votado nos últimos 20 anos em políticos corruptos, em vez de eleger aqueles que vão lhe defender de verdade. Exemplo disso é que cinco dos cinco governadores eleitos nos últimos 20 anos estão ou já foram presos. A exceção foi a ex-governadora Benedita da Silva (PT), eleita vice-governadora e depois teve que assumir o mandato por nove meses sem cometer um crime sequer. Atualmente o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), está na iminência de ser afastado. Crivella foi eleito com votos das milícias. O eleitor carioca não votou  no então candidato Marcelo Freixo (PSOL), porque ele combatia exatamente as milícias. Hoje, o arrependimento é visível.

Porque……

Os mecenas milionários europeus sabem que no Brasil, os responsáveis pelo desastre de Mariana (Vale), que ceifou a vida de dezenas de pessoas e destruiu a vida de vários rios e afluentes não foram presos e até agora nem pagaram as multas. Sabem também que outro desastre, o de Brumadinho, que matou mais de 300 pessoas, jamais terá seus responsáveis presos. Sabem também que índios, pobres e negros são mortos e os culpados nunca são punidos. Sem falar no maior presidente que o Brasil já teve, Lula, condenado e preso sem provas.

Porque….

E, finalizando os porquês dos milionários europeus não contribuírem com a restauração do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro, eles sabem que aqui o judiciário está travando uma guerra contra o judiciário. Isso mesmo. Guerra interna entre magistrados que deveriam dar o exemplo de justiça.

                        O prefeito de Nova York

                       Você sabia que?

                        Rondônia apoia Moro

A visita do ministro Sérgio Moro à Porto Velho, capital de Rondônia, foi uma demonstração de que ele e Bolsonaro, são portadores da confiança do povo. Eleito com 72% dos votos do eleitorado rondoniense, Bolsonaro não encontra oposição na região amazônica. Durante a presença de Moro em Porto Velho, meia dúzia (isso mesmo) de mulheres do Coletivo Filhas do Boto Nunca Mais (foto acima) ousaram se manifestar corajosamente, contra o pacote anticrime de Moro, que estimula o extermínio da juventude negra e pobre e favorece a formação de milícias no país. O governador Marcos Rocha (PSL), temendo protestos, mandou cercar as imediações da Universidade São Lucas e alocou mais de 100 policiais para fazer a segurança de Moro. Nem precisou. Bastaria um cabo e um soldado para proteger o ministro. Pelo andar da carruagem, a direita não terá dificuldades de eleger o próximo prefeito da capital e reeleger o governador em 2022. Triste e lamentável.

                FELIZ PÁSCOA!

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

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