Governo de Rondônia: nove meses e 800 mil na miséria




Governador de RO (esq.), Marcos Rocha e o presidente da ALE-RO (dir.), Laerte Gomes

Por José Armando Bueno (*)

Nesta segunda-feira (2) Executivo e Legislativo de Rondônia completam nove meses de apatia e sem qualquer simpatia. Para os comissionados e outros assemelhados de teta, é preciso “dar mais tempo”. Claro, quanto mais tempo sem fazer nada e no final do mês salário na conta, é o que conta. Tivemos um pleito eleitoral em 2018 bastante concorrido e apontando claramente para mudanças, que não vieram. Não virão. Uma análise bem vagabunda aponta que os atores são, na realidade, aqueles mesmos que se sucedem em cargos públicos de liderança, e que vivem das falsas promessas. Os próceres de agora são os mesmos que nos enganam desde sempre.

No topo da cadeia alimentar o coronel Marcos Rocha, tido pelo imenso cordão de puxa-sacos como exímio administrador e pessoa do “bem”. Na realidade, o coronel, conhecido como Marquinhos, o Menino Maluquinho, por carregar maleta com grande quantidade de medicamentos tarja preta pra não surtar, é apenas uma fraude da gestão pública desde sempre. Sua trajetória supostamente vitoriosa à frente da ASTIR foi marcada, na realidade, por armações e trapaças que tramou junto com sua esposa, Luana, para derrubar diretores que o impediam de realizar suas trapaças. O assunto foi parar na justiça em sigilo, claro, pelas boas relações de Marquinhos no Judiciário, mas as testemunhas aí estão para atestar estas linhas. Foi golpe e dos grandes.

Não bastasse a lambança na ASTIR, a passagem do Coronel Marquinhos pela SEMED no governo Mauro Nazif, é conhecida até pelas baratas do palácio Tancredo Neves. Vivia de licença médica primeiro pra não trabalhar, que não é de fato o seu forte, e segundo para fugir das responsabilidades da secretaria. Adiava até o limite da inconsequência assinar processos, e quando a coisa apertava mesmo, cadê o Marquinhos? Tá de licença médica. Mauro Nazif não teve alternativa, botou pra correr o suposto bom gestor, bom mesmo é de lábia.

Depois de aplicar um golpe no PSL para assumir a liderança do partido e poder escolher-se como candidato ao governo – sim, ele é bom de golpe mesmo – Marquinhos hoje vive escondido no Palácio Rio Madeira,  na barra da saia da mulher, Luana, tida como a verdadeira governadora do estado. Sim, ela manda nele mesmo, e ai se ele ousar não obedecer, fica de castigo, trancado no quarto. Sabem porque ela não sai do lado dele em situações públicas? Ela é a âncora, a muleta emocional de um governante fraco e inseguro que, por mais um golpe, chegou aonde está.

Outro prócer nota carimbadinha de quatro reais é o deputado Laerte, o inerte. Chegou ao comando da assembleia legislativa num acordo para não causar tremores que a ninguém interessa. Por isso Laerte é um inerte. Ajoelhado e submisso não fez, não faz e não fará absolutamente nada para equiparar-se a algo parecido com sua obrigação constitucional: fiscalizar o executivo. Laerte O Inerte é apenas mais uma figurinha de segunda da política rondoniense. Seu sonho de chegar à prefeitura de Ji-Paraná está enterrado, porque lá na segunda maior cidade de Rondônia ele não emplaca. É fraco, dependente de seu tutor Expedito Júnior e, para ser excessivo, um incompetente.

Laerte O Inerte foi incapaz, até agora, de demonstrar o que é de fato um presidente de assembleia legislativa. Mais que apagado um destrambelhado que se supõe um líder, mas que até seu mais íntimo entorno sabe que é uma nota de quatro reais. Não tem brio, não tem coragem, não tem altivez para fazer oposição séria ao governador que foi oposição na eleição. Ambos têm algo em comum: a incompetência e a fraqueza moral.

Assim os nove meses que deveriam parir um novo estado leva-nos de volta a um passado de tragédias, e o estado – supostamente bem administrado – logo se demonstrará um desastre sem precedentes. Os números gritam: em 2010 contávamos 300 mil abaixo da linha da miséria. Em menos de uma década já atingimos 800 mil. Os oito anos de Confúcio e agora mais quatro do antigo subordinado político de Emerson Castro, consolida-se uma tragédia humanitária varrida para debaixo do tapete. Sim, governo e assembleia ignoram tais números dimensionados pelo IBGE em novembro de 2017.

Há fome e miséria sim em Rondônia. A renda é altamente concentrada em atividades econômicas de baixa densidade de vagas de trabalho. Emprego de verdade não existe. Um estado com enorme potencial agrícola importa mais de 80% daquilo que consome. Uma vergonha inominável. O secretário de agricultura, Evandro Padovani, é um incompetente e inconsequente. Destruiu a agricultura. Há números e as provas sobejam e a propaganda chapa branca não consegue esconder. Importar alimentos em Rondônia deveria ser crime.

O que nos aguarda em 2023? Mais miséria de pessoas miseráveis à frente do governo.

(*) José Armando Bueno é jornalista

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